Publicado originalmente em 30 de Abril de 2010.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
A Senhora dos Anéis
Sentada. Mãos sobre o regaço. A mostrar os dedos das mãos. A mostrar os anéis que tinha nos dedos das mãos. Três anéis numa das mãos, quatro na outra. Olhei: "É obra!". Melhor, "são obras!" Obras porque cada um era mais elaborado que o outro. Trabalho de artista, pedras de quem ainda tem alguns euros para gastar em anéis. Sentada no metro, claro, que por acaso ia cheio, apinhado. Afinal sempre era o fim da tarde de uma 6º feira, véspera de feriado. Sentada, olhava com ar desconfiado para os indígenas, todos mal aparelhados, cinzentos, tristes. Em suma, em crise. Também vestia bem: sapatos a brilhar, meias a realçar o que tem de ser realçado, saia justa, blusa .... vaporosa, para o transparente (apenas a mostrar o indispensável) mas com manchas pretas (tipo pele de leopardo, mas sem ser assim tão vulgar). Cabelo arranjado, pele cuidadíssima, pintura discreta. Mãos cuidadas, unhas arranjadas, pintadas de vermelho, claro. Idade? Entas. Mas entas muito bem cuidados! Próxima estação. Levanta-se e volta a olhar desconfiada para os indígenas. Olha também para o decote, a ver se não mostra mais do que o necessário. Não, não mostra mais do que o necessário! Sai. Ar vagaroso. Petulante. Estava claramente no filme errado. Quanto a mim, continuo a achar o metropolitano o melhor transporte do mundo.
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